sexta-feira, 1 de outubro de 2010

o ponto

venho de um mar revolto que não me dava descanso, um gosto de sal na garganta e uma sede, em meio a tanta água. venho cansada da luta. e a minha sede era de água e paz.

eu não procurava um pouso porque já tinha o meu próprio – que pode não ser macio nem mágico, mas tem o meu cheiro. eu procurava o que não sei. procurava parar de procurar. e já vinha desacelerando a busca, numa desistência doce.

era a paz que eu procurava. a paz que me sorri bem puro. a paz que não é tédio. que dá colo pra descansar, mas também é capaz de surpreender e fazer o coração bater forte, a circulação aumentar, o corpo se sentir vivo. a paz que atormenta. paz que é um ponto.

que é chegar em casa sorrindo. uma insônia boa. certeza que não mata. saudade que revela. que é quando a imperfeição encontra lugar confortável em nós. é sentir no outro uma semelhança macia. saber um pouco do que vai no outro, sem saber quem é o outro.

estou apaixonada por uma tempestade suave em mim.



cris guerra

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